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terça-feira, 24 de novembro de 2009

A verdade sobre Haydée

Para ler ouvindo The Look of Love

Leonardo diz: Torloni bem me gongou quando eu era criança. Não esqueço.
Filipe diz: Jura? Que ela fez?
Leonardo diz: Pedi pra tirar uma foto com ela e ouvi um 'Ai, meu bem, tô atrasada'. Deu mais três passos e ficou horas conversando, ali mesmo, na minha cara. E eu nem queria foto com ela, minha mãe que falou pra eu tirar.

Torloni atrasada

Filipe diz: Quando eu for famoso, gongarei geral, e você entrará lindo de óculos escuros passando no meio de geral, no meu hotel, pra comermos chocolate e gongarmos todos.
Leonardo diz: Menos mal. Mas o engraçado foi anos despois, eu já adolescente, numa festa na qual ela também estava. Torloni apertou minhas bochechas, balançou de um lado pro outro, me machucando, e falando que eu era uma gracinha. E eu pensava: escrota.
Filipe diz: Você é desses rancorosos.
Leonardo diz: Eu sou. Contei pra minha mãe quando cheguei da festa e ela lançou: que falsa!
Filipe diz: Adorei saber! Já gongarei Torloni quando eu for global. Aqueles que pegam o rancor do amigo.

FILIPE GONGANDO TORLONI:
- Filipe, você será a próxima Helena de Maneco, a primeira travesti. Tornoli será a dona da casa norturna...
- Quem é essa?

- Torl...
- Não quero.
- Ok... Letícia Spiller?

- Qualquer uma, menos essa desconhecida.


Leonardo diz: Isso! E ela com aquilo de Amazônia para todos? Desconfio muito dela com essas assinaturas.
Filipe diz: Eu também. Já já ela aparece com uma lista para ela ter uma estrela na calçada da fama. E lá foi o Brasil todo gongado de uma só vez.
Leonardo diz: Fato! Aposto que ela é dessas.
Filipe diz: Que safadinha!

Safadinha.

domingo, 1 de novembro de 2009

Primeiro dia de trabalho

Nunca fui do tipo que mentia em currículo ou entrevistas de emprego. E, talvez por causa disso, não conseguia nenhum trabalho. Já estava desistindo da minha tática de ser verdadeiro, quando fui chamado para uma entrevista. Pensei: vou ser eu mesmo pela última vez, se não der certo, passarei a mentir que nem todos.

- Me fale de seus trabalhos anteriores.
- Que trabalhos? Nunca trabalhei. Essa seria a primeira vez.
- Não tem experiência?
- Nenhuma.

E não é que eu consegui? Das duas uma: ou Patrícia Pilar estava certa quando me disse uma vez que eu era muito carismático ou aquela empresa era uma bagunça. Tava doido pra descobrir.

E foi só eu conseguir o emprego que eu mudei. No meu primeiro dia de trabalho, eu queria mostrar o quanto eu era sério, adulto, atento, esperto e profissional. Características que obviamente não me cabiam. Não mesmo.

A minha supervisora ensinava o trabalho pra mim e os outros três estagiários quando eu resolvi sentar. Afinal, eu não ia aprender mais por estar de pé. Tô certo ou tô errado? E no momento que me sentei, o braço da cadeira bateu na ponta da mesa e arrancou um pedaço. Climão. Eu estava destruindo os bens do escritório no meu primeiro dia. Chutei o pedaço da mesa que caiu no chão pra baixo dela, numa tentativa frustrada de disfarçar. Minha supervisora disse:

- Não tem problema não. Isso é frágil mesmo.

Okay, agora eu era o atrapalhado da empresa. Se houvesse um mural de o funcionário-quebra-tudo, lá estaria a minha foto. Esperei, sem graça, ela terminar de falar tudo sobre o sistema (tava na cara que era muito fácil mexer naquilo! ela tava complicando as coisas) e quando ela acabou a ladainha dela, fui ao banheiro.

Joguei uma água na cara, tirei uns cravos, e aproveitei que tava ali pra fazer xixi. Estava lá, treinando a minha mira, quando senti alguém mexer na maçaneta. Odeio quando estou no banheiro e tem alguém do lado de fora doido pra entrar - e ainda mexendo na maçaneta! Mas, hey, o que tava acontecedo? A porta tava abrindo! E eu ainda tava mijando. Ai, meu Deus. E quando a porta abriu mais um pouco, eu vi: era a minha chefe. Ela também me viu, naquela situação. Agradeci a Deus por não sentir vontade de cagar fora de casa. Poderia ser pior.

- Iiih! Desculpa! Você não trancou a porta não?

- Achei que tinha trancado.

E aí eu ouvi ela rindo do lado de fora do banheiro. Que ótimo. Eu não duraria uma semana lá, tava claro isso.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estar com a galera de Malhação é ser in

Ih, gente, confesso: eu já gostei de Malhação. Teve uma época de minha vida que nada prendia mais a minha atenção do que os dramas de Miss Gari e as travessuras de Natasha. Pronto, falei. Eu era desses.

Malhação: você também já gostou que eu sei!

Então, nessa época sinônimo de status pra mim era estar com a galera da Malhação, jogar uma conversa fora e de quebra tirar umas fotos pra colocar inveja nos coleguinhas. Dia bom era dia com o elenco da novela. Se fosse noite então, supimpa. E nessas eu fui parar no pocket show de lançamento do primeiro CD da Marjorie Estiano. Era um evento fechado, mas todo mundo que eu conhecia tava lá. Meus amigos eram todos desses também. Finos.

Havia uma área VIP, afastada do palco, onde estava o elenco da novela. Eu e minha amiga demos o nosso jeito - leia-se fizemos carão - e entramos. Com a cara de pau que nós tínhamos, rapidamente estávamos numa rodinha conversando e brincando com o elenco, enquanto tentávamos agir como se aquilo fosse natural pra gente. Quando na verdade, queríamos era gritar pro mundo:

- Tô batendo papo com a Miss Gari! Olhem bem pra mim! Tô arrasando.

Mas fazer isso significava estar fora do grupo. Então, não dava. Depois de uma meia hora, já estávamos nos sentindo íntimos de todos e até tirando uma com a cara de alguns que davam mais abertura. Quando começou o movimento pra começar o show, um dos atores falou:

- Vamos lá pra frente do palco! Pro gargarejo!

Eeerrr, não? Eu e minha amiga nos olhamos. A gente não tinha se esforçado pra entrar ali pra agora ele querer ir pro povão. Ah, não. Não mesmo. Uma das atrizes do elenco também não estava muito empolgada:

- Mas a gente não vai conseguir chegar lá na frente! Tá cheio!

Eu adoro quem coloca impecílios pra brecar as idéias alheias de uma forma elegante. Já estava me preparando pra engrossar o coro com ela, quando o garoto falou:

- Que nada! Os seguranças abrem caminho pra gente!

Ai, gente. Que chato esse muleque. A gente não podia ficar aqui, com comidas e bebidas de graça, conversando enquanto a ruivinha fazia o show dela lá na frente? Essa me parecia uma idéia muito mais agradável. Mas a maioria gostou foi do papo do gargarejo. Espírito de pobre. E, quando vi, lá estava eu - entre um Malhação e outro - cercado por seguranças que abriam caminho pra gente chegar na frente do palco.

Confesso que esse lance de seguranças abrindo caminho foi divertido e renderia muito no dia seguinte:

- Arrasamos! Os seguranças nos levaram pra frente do palco. Íamos andando e as pessoas se afastando. Puuuuuro glamour! Sério!

Mas, né. Não importa como você chega na frente do palco, o resultado é sempre o mesmo: ser esmagado pela multidão. Mas o pior não foi isso não. Quem dera se tivesse sido. Lá na multidão, dois atores ficaram na minha frente. Sente o nível:

Agora te pergunto: com esses cabelos enormes, você acha que eu vi sombra de Marjorie? Nem fudendo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Às vezes, o melhor é ficar calado

Aviso: Esse post será melhor compreendido pelas mulheres. Homens, eu avisei.

Não sou mulher, mas não há nada que eu goste mais do que uma DR. Falar do que tá ruim pra ver se melhora é comigo mesmo. Falo tudo antes que vire uma bola de neve. É essa a lógica, não é? Todo mundo devia ser assim. Por que a maioria das pessoas não sabe discutir sem brigar? Quando entro numa DR, não quero brigar. Pelo contrário, quero evitar futuras brigas. Mas nós, pró-DR, não somos compreendidos:


Pois bem, a história de hoje é sobre isso. Certa vez, há muitos e muitos meses anos atrás, eu, cara mente aberta e em busca da perfeição, resolvi discutir a relação. E é óbvio que a discussão virou briga, né, gente. Ninguém sabe ouvir 'você é totalmente imaturo!' (seguido de uma lista de argumentos fortes, porque eu sou desses) sem responder na grosseria. Fico de cara.

E seguida da briga sempre vem uma separação, não é? Não deu outra. É batata, gente: se um dia você quiser se separar do seu namoradinho e não souber como fazê-lo, discuta a relação. É ciência, comprovado pelo Inmetro:

Discutir relação leva a uma briga que leva a uma separação.

E, gente, eu não queria separação nenhuma. Eu só queria melhorar as coisas. Se eu soubesse que teria dado nisso, teria ficado de bico calado. (Mentira, não sou desses de me calar) Mas aí, o que que eu fiz? Muita atenção agora, porque essa é outra regra:

Se você discutiu a relação, deu merda e não era a intenção, é a hora de pedir desculpas.

Eu sei que é revoltante pedir desculpa quando você está certo, coleguinha, mas você pretendia fazer o quê? Eu e você sabemos que após a separação quem ia sofrer ao som de All by myself seria você. Então, é melhor retirar tudo o que disse. É melhor ter um relacionamento para reclamar do que não ter nenhum. Deprimente, mas eu sei que você também pensa assim.


Então, foi o que fiz. Marquei um cineminha pra pedir desculpa e reatar. Cheguei mais cedo no shopping pra poder almoçar. E eu sou desastrado. É claro que caiu feijão na minha camisa.

Dica: Nunca coma antes de um encontro.

Quando você vai encontrar qualquer tipo de ex (amigo, namorado, patrão, etc), você tem que estar melhor do que nunca. Tem de estar deslumbrante pra mostrar como a separação te fez bem, gente! Aparecer com uma camisa manchada de feijão não é uma opção. É a morte! Não há credibilidade.

E foi o que aconteceu. Minhas desculpas de nada valeram e ainda tive tudo o que eu falei antes usado contra mim. Golpe baixo. Até hoje, sei que a culpa foi do feijão.

Dica: Se fizer mesmo questão de almoçar, coma comida japonesa - sem os molhinhos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

RSVP pra quê?

Banque uma festa no seu aniversário e todos irão. Faça o esquema 'cada um paga o seu' e apenas os mais próximos aparecerão.

Todo ano é a mesma coisa: eu sempre acho que ninguém vai aparecer no meu aniversário. Brasileiro não tem a cultura do RSVP, né? A gente pede pros convidados confirmarem presença e apenas uma meia dúzia confirma. Penso o que? Meu aniversário vai ser um fracasso, ninguém vai e vou passar vergonha na frente dos poucos que forem. Ih, jamais. Sou mais esperto do que esse complô: eu vou é cancelar tudo! Mas claro que eu nunca cancelo, né. Saio de casa de cabeça erguida pra humilhação da solidão (o que, de fato, nunca acontece - as pessoas gostam de aparecer no estilo surpresa).

Foi mais ou menos isso que aconteceu no meu aniversário de 18 anos. Resolvi comemorar numa pizzaria e precisava da confirmação das pessoas pra fazer a reserva. Os dias se aproximavam e ninguém me dava certeza. Ficava cada vez mais tenso. Acabei reservando uma mesa pra 25 pessoas, sendo que na verdade apenas 16 tinham confirmado que iam. Mas vai que alguém resolve aparecer de última hora?

E não deu outra. Não parava de chegar gente: aquele que convidei por educação, aquela que jurei que não ia aparecer, aquela que leva amigos a tiracolo e... até penetra teve!

- Ooooi! Nem me convidou, seu cachorro!
- Eeerr... pois é, mas que bom que você veio mesmo assm!


Claro que as 25 cadeiras não foram suficientes. Foram quase 50 pessoas. E a pizzaria tava lotada. Não queriam nem deixar meus convidados entrarem. Eu, que já tinha cedido minha cadeira pra penetra, toda hora ia na porta resgatar meus convidados. "Tá comigo, tá comigo!". Uma vez dentro, o problema era outro: onde se sentariam?

- Garçom, traz mais um cadeira que chegou mais gente.
- Mas, meu senhor, eu já falei que não tem mais cadeira.
- Dá um jeito! Meus convidados não vão ficar em pé.

E lá ia o pobre garçom atrás de mais cadeiras. E mal ele voltava, eu já tinha mais pedidos:

- Traz mais duas!
- Mas...
- Confio em você!

Os coitados ficaram bem putos comigo. No final, fingiam que nem me ouviam, porque sabiam que eu ia mandar eles fabricarem mais cadeiras. Pizza, nem comi. Ainda bem: devem ter aprontado poucas e boas com elas pra descontar a raiva. (no final da noite, pedi desculpa a eles, mas não foram muito receptivos)

O pior é: meus amigos continuavam a ligar perguntando como chegar lá. Eu já dizia algo mais ou menos assim:

- Tudo bem, eu vou entender se você não vier.
- Mas eu tô indo! Como chego aí?
- Tá, só tô dizendo que se não conseguir chegar, sei que você tentou.
- Mas, Leonardo..

Eu queria gritar: POR FAVOR, NÃO VENHA! NÃO TENHO MAIS LUGAR!

E, pra completar, tudo terminou assim:

Porque meus amigos dão valor ao meu sacrifício.

domingo, 6 de setembro de 2009

Yvone? Podia ser eu



Dissimulado e sonso? Eu tive a minha época. Lembro que quando estava na quinta ou sexta série, havia na minha turma um menino afetado que adorava um barraco. Ele se achava o poderoso e comprava briga com todo mundo. Um estilo Vera Verão, sabe como é? Não preciso dizer que, mesmo ele nunca tendo comprado briga comigo, eu não o suportava.

Cheguei mais cedo na escola um dia e fui, com minha amiga, para a nossa sala de aula. Resolvemos aprontar para o William, era esse o nome da Vera Verão em questão. Nossa idéia era escrever um bilhetinho anônimo para ele e colocar no mural. Ditei o que minha amiga deveria escrever, alertando-a para disfarçar a própria letra. Ditei várias barbaridades. De arrombado-sem-vergonha pra baixo, porque eu era desses amargos.

Quando a turma chegou, leu o bilhete. William começou a fazer auê e perguntar quem tinha escrito aquilo. Ele tava indignado. As pessoas se olhavam tentando descorbrir quem era o autor. Me comportei como os demais - fazendo cara de espanto e desconfiança:

- A que ponto as pessoas chegaram, né? Mandando bilhetinhos ofendendo os outros! Ridículo! Falta do que fazer.

Os anos de teatro tinham, portanto, servido pra alguma coisa. O William começou a abordar as pessoas que ele sabia que não gostavam dele perguntando se eram elas as autoras do bilhete. E chegou a minha vez.

- Leonardo, foi você? Se tiver sido, pode falar.
- Eu? Claro que não! Porque eu faria isso? Não tenho nada contra você!

Eu arrasava muito antes da Yvone pensar em existir, gente. Como faz? Completei dizendo:

- Eu acho que você devia chamar o inspetor e reclamar disso.

E ele chamou mesmo. Climão. O inspetor disse que olharia os cadernos para reconhecer a letra. Minha amiga ficou tensa. Eu não fiquei não. Ela que tinha escrito, não eu. Ia ser difícil eu me ferrar.

- Leonardo, e se descobrirem que foi a gente que escreveu?

A gente? Ela tava fazendo a maluca. Quem escreveu foi ela. Eu hein.

- É, se reconhecerem a SUA letra, vai ser uó. Você disfarçou direitinho?
- Disfarcei, mas sei lá, né.
- Já muda a sua letra no caderno também. Faz diferente.
- Tô com medo. Falaram que vão transferir as pessoas que fizeram isso pra outra unidade da escola.
- As pessoas não, né. A pessoa.
- É, mas fomos nós dois.

Nessa hora, eu entendi a dela. Se ela fosse pega, ia me levar junto. Não se fazem amigos como antigamente. Eu já começava a me preparar para o momento que iam reconhecer a letra dela, ela me acusar, e eu fazer cara de espanto novamente. Chamaria ela de maluca e pediria provas. Não haveria nenhuma. Se a situação chegasse ao extremo, eu escreveria um bilhetinho pra mim mesmo me ofendendo e colocaria no mural. Aí seria mais uma vítima, livre de suspeitas.

Felizmente, o inspetor não pegou caderno de ninguém e tudo acabou em pizza. Fiz a Yvone e reinei.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ué, não era chão?

A missão era encontrar animais abandonados nas ruas e tirar fotos para um trabalho da faculdade. Eu e minhas amigas resolvemos ir para a Quinta da Boa Vista, porque sabíamos que lá encontraríamos muitos bichinhos. E não deu outra. Mal chegamos e avistamos um gato dormindo no pé de uma árvore. Saquei a digital da mochila para tirar fotos dele. Havia um canal entre nós, mas por sorte não havia mais água nele. Comentei com a Carol:

- Não tem nem mais água ali. Secou!

Ela me respondeu alguma coisa, que não dei ouvidos. Estava impressionado com o canal seco. Antigamente, tinha tanta água. Agora, ele tava ali, sem um pingo d'água. Deviam ter soterrado, né? E ainda pintaram de verde. É. Tudo que eu via ali, no lugar daquela antiga água suja, era um chão verde. Parecia um tapete verde.

Resolvi atravessar o canal pra tirar fotos do gato num melhor ângulo. Afinal, o professor disse que avaliaria essa questão do olhar fotográfico. E olhar fotográfico é comigo mesmo, pensei. Desci. E, no momento em que coloquei meus pés no chão verde, eu me senti afundar. O chão tava afundando. Mas era concreto, não era? Concreto afunda? Afundei. Tô numa areia movediça. Não! Tô na água! Fiquei de cara. Só ouvia todo mundo rindo. Evitei me mexer. Se aquilo era o canal de sempre, aquilo era um nojo. Devia ser esgoto. Eu devia estar no meio da merda. Ai, que nojo! Se eu tivesse menos chocado ao ponto de gritar, eu gritaria socorro. Mas não. Tava perplexo. Olhei para um cara, acompanhado do filho, perto de onde eu tava. Ele falou:

- Não acredito que você entrou nessa água.
- Ué, não era chão?

Todos riram mais ainda. Ri também. Ninguém ia rir de mim. Riam rir comigo. O pai falou pro filho tomar cuidado e não fazer que nem eu. Nessa hora, eu não ri não. Aquele desconhecido tava me sacaneando. Me mexi. Felizmente, não havia merda ali. Pelo menos, não no estado sólido. A água era bem... água mesmo! Agora, ali de dentro, eu percebia que o tapete verde não passava de folhas que haviam caído da árvore. Mas tava muito perfeitinho. Parecia chão mesmo. Ninguém pode negar. Saí do canal, encharcado. Meu celular, minha mochila, minha carteira com documentos, minha máquina... tudo havia tomado um banho. Uns pivetinhos passaram.

- Você caiu na água?
- Caí.

Foram embora rindo. E aí a Carol me disse que havia me avisado que tinha água ali. Falei que não avisou nada. Eu tinha até comentado com ela que o canal tinha secado. Ela me deixou pensar assim! Ela me disse que não, que tinha me respondido:

- Não, Léo. Tem água sim.

Dica: Preste atenção no que seus amigos dizem.

E depois disso tudo, eu fiquei assim:

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O mais novo milionário brasileiro? Podia ser eu.

Todo mundo sabe que meu aniversário tá chegando. Nesse período que o antecede, costumo ter uma série de crises exitenciais. Mais um aniversário e o que eu fiz pro mundo? Nada acontece na minha vida, né? O tempo tá passando e eu tô ficando pra trás, não tô? Vou chegar aos 30 contando dinheiro pra pagar as contas, né? Vou chegar aos 30 morando com minha mãe, não vou? Fracassarei, não fracassarei? Ai, meu Deus! É mais ou menos isso que penso o dia todo.

Como presente para mim mesmo de despedida da adolescência (porque, pra mim, você deixa de ser adolescente quando completa 20 anos! Muda a dezena, gente!), me dei um bilhete da Megasena. Ela estava acumulado em 21 milhões. Nada mal. Era a hora de eu apostar (afinal, eu não ia gastar a minha sorte quando a loteria estivesse oferecendo menos de cinco milhões). Gastei R$1,75 no jogo e apostei nesses números:

3 – sempre gostei dele;
9 – faço aniversário 9/9/1989 e isso deve significar algo;
17 – idade que mais gostei de ter;
20 – idade que estou prestes a fazer;
34 – não me lembro porque escolhi esse número;
48 – a soma dá 12 e 1+2=3, o número que eu gosto.

Passei o resto do dia com a sensação de guardar um segredo. Ninguém sabia que estava diante de um milionário. Um milionário anônimo! Yeah, eu seria um milionário anônimo em questão de poucas horas! Na verdade, eu já me sentia um. Como gastaria todo esse dinheiro? Aliás, eu gastaria? Como esconderia ele de todo mundo? Eu ia comprar aquela filmadora que eu quero, aquela máquina profissional e faria muitas viagens. Levaria um amigo em cada viagem. Levaria minha mãe em algumas também. Ah, eu ia comprar uma casa também. Aonde? Eu ia continuar na faculdade, quero terminar o curso. Mas sairia do trabalho. Não ia precisar mais daquilo. Mas eu também não poderia levantar suspeitas. Tudo que eu comprasse, diria que era fruto de minhas economias (haha! que economias?). Todos seriam enganados. Bobinhos. Talvez eu até passasse a namorar: com tanto dinheiro, choveriam pretendentes. Eu viveria aquele ditado:

Dinheiro não compra felicidade, manda buscar.

Esse era o meu momento. A hora certa de ganhar na loteria. Eu ia viver de renda. Trabalhar por prazer. A vida seria toda um prazer! Cheguei em casa e corri pra internet para confirmar a minha vitória ver os números do sorteio. E o que vi foi isso:

01 - 15 - 28 - 43 - 50 - 57

Ué, eu perdi? Esses números deviam estar errados. Não é possível. Como assim eu não ganhei, gente? Esse negócio de MegaSena é marmelada, né? Essa seria a única explicação para a minha perda. Se eu não ganho, é marmelada. Penso assim. Que tipo de pessoa marcaria o número 1? Ninguém. Muito forjado esse jogo. Me fizeram perder R$1,75! Eu só queria ganhar alguns milhões. Eu não acertei nenhum número, vocês notaram? Nenhum. Aí tem.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pré-estréia de um fracasso de bilheteria

Ih, gente. Na época do lançamento de Acquaria, não se falava de outra coisa (afinal, ninguém sabia ainda que o filme não prestava). O marketing era massivo - não importava em qual canal de Tv você colocasse, lá estava o slogan do filme: "Você consegue esperar?". E eu não conseguia esperar não. Lá tava eu no dia da pré-estréia, ansioso como se fosse encontrar a Deus.

Mas não encontraria Deus. Encontraria Sandy. Lembro que fecharam quase todas as salas do UCI New York City Center, aqui no Rio de Janeiro, para passar o filme. E as salas são bem grandes, o que significa que quem ficou de fora, era loser havia muita gente lá, entre anônimos e famosos.

"Apesar de ter sido lançado no cinema com ampla campanha publicitária e grande número de cópias, este filme foi fracasso de bilheteria, por várias razões: 1) não trazia o que público da dupla esperava; 2) a popularidade deles já estava em baixa; 3) a campanha foi confusa e não dava idéia do que se tratava; 4) o filme apesar de bem realizado não satisfaz o espectador." - Rubens Edwald Filho

Tanto Sandy quanto Junior chegaram por último, atrasados. Esse tempo de espera foi o suficiente para gerar burburinhos típicos desses eventos. Começaram a dizer que, ao fim da exibição, eles iam passar em todas as salas para dar um olá. Desmentido isso, começaram a falar que eles passariam apenas em algumas salas. E, por fim, eles passariam apenas na sala que eu estava. Que sortudo eu era! Eu mal podia acreditar.

Que que eu fiz? Sentei na primeira fileira. Era o melhor lugar: quando eles fossem na sala dar um 'oi', eu estaria ali pertinho, cara-a-cara praticamente. Adoro. Sou desses sempre querendo estar face-to-face. Nessas, assisti ao filme com a cabeça inclinada pra cima e analisando cada pixel do rosto de Sandy na telona. Foi uó, mas eu era fanático e nem me importei. A sessão terminou e eu me virava pras pessoas e dizia como o filme era ótimo (aham, Cláudia, senta lá). Imagina a cena: eu elogiando o filme e esperando eles entrarem a qualquer momento.

Esperei, esperei, esperei. Até que alguém foi na sala perguntar o que todos nós ainda fazíamos ali. Ninguém passaria ali pra dar 'oi' não. Ih, decepção. Vi o filme mal e porcamente, fiquei com torcicolo e nem ganharia um 'oi'? Que absurdo. Saí(mos) da sala. Avisaram que Sandy e Junior apareceriam ali fora. Esperei, né. O que é um peido pra quem tá cagado?

E eles apareceram.

- Ooooooi!

Não preciso dizer que eu tava ali embaixo, no meio da galera, né? Não rolou o face-to-face. Gongado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O 247 é mais rápido!

- Mãe, tô indo pro Odeon. O 249 passa lá, né?
- O 247 é mais rápido. Pega esse.

Adoro ônibus mais rápido. Minha mãe é o auge com essas dicas. Fui pro ponto de ônibus e já avistei ele chegando. Tudo dando certo. Entrei todo feliz. Depois de um tempo, tô eu lá no busão ouvindo Paramore (sempre presente em bons momentos!) e noto um desvio no caminho rumo à Zona Sul. Estranho. Será que ele vai dar a volta? Não, não vai, né? Minha mãe disse que isso aqui era mais rápido. Eu tô no ônibus errado, né? Minha mãe é uó! Odeio burrice. Ligo pra ela na hora. Preciso descontar em alguém.

- Ô sua poia! Tô aqui no 247 e ele tá me levando pra Botafogo!
- O quê?!
- Tô num túnel indo pra Botafogo!
- Eu pego 247 sempre pra ir ao médico. Certeza que passa no Odeon!
-
Não, não passa, mãe! Que inferno!
- Mas..
- QUE INFERNO!

E desliguei a ligação, puto da vida. Minha mãe sempre me botando em furada. Saltei no primeiro ponto que vi. Estava ali no clube do Fluminense, em Laranjeiras. Nada a ver com o Odeon. Aliás, bem longe. Minha mãe ligou de novo.

- Não adianta ficar me ligando toda hora, mãe!
- Você pegou 457, seu burro! Eu falei 247!
- Eerr... tá! beijo!

Que vergonha. Então, quer dizer que a culpa era toda minha? O poio era eu? Atravassei a rua tentando manter a calma. Afinal, era só eu pegar um ônibus no sentido oposto e eu logo estaria lá. Ainda tinha tempo. Atravessei. Pablo me ligou.

- Onde você tá?
- Perdido no Rio de Janeiro. Mas já vou chegar... assim que encontrar um ponto de ônibus.

Andei, andei, andei. E tudo que eu não achava era um ponto de ônibus. Já começava a me desesperar. Tiraram os pontos de ônibus de Laranjeiras! Como faz? Andei mais. Avistei o ponto. Corri pra lá todo feliz. Agora tava tudo resolvido. Perguntei que ônibus eu pegava pro Centro.

- Que parte do Centro?
- Cinelândia.
- Ih, não tem ônibus pra lá não. Só metrô.
- E onde é o metrô?
- Longe.

E a mulher me apontou o caminho. Andei, andei, andei. Muito. Comecei a subir um viaduto. Tenso. A paisagem começava a enfeiar. Fiquei com medo de estar subindo uma favela. Aqui no Rio é assim: se a gente não tomar cuidado, tá no morro. Andei horrores, gente. Vocês não tem noção. Quando finalmente cheguei do outro lado do viaduto, continuava sem ver sombra de metrô. Veio um velhinho. Abordei.

- Como faço pra chegar o metrô?
- É no sentido contrário que você tá fazendo.
- Não acredito. Sério?
- Sim. De onde você tá vindo?
- Do Fluminense.
- Mas o Fluminense é logo aqui. *aponta pro lado que ele tava vindo*
- Não acredito! Me fizeram dar uma volta!
- Uma volta muito grande mesmo!
- Só acontece comigo isso, moço! (leia-se: "SOCORRO, ME AJUDA!")
- Eu te levo no metrô.

E eu fui, né. Afinal, o que aquele velhinho poderia fazer comigo? Nada. O que é um peido pra quem tá cagado? E ele foi um amor. Desconfio que ele era Deus me guiando, sabe? Podem rir. Me deixou na porta do metrô e desapareceu em seguida. Certeza que era Deus.

E, mew, passei isso tudo pra quê? Pra chegar na pré-estréia de um filme sobre Waldick Soriano, dirigido por Patrícia Pilar. Uma bosta o filme.

Mas é aquilo, né: o talento da dupla era Donatella.

domingo, 23 de agosto de 2009

Não dê opinião no penteado de famosos

Nunca gostei da Wanessa Camargo. Sempre fui fã da Sandy, você sabe. Gostar das duas era a mesma coisa que alguém gostar de socialismo e capitalismo ao mesmo tempo. Não dava. Sempre fui daqueles que ria dos fracassos da neta do Francisco. Mas, um dia, eu tava no aeroporto e Wanessa apareceu por lá.

Wanessa aparecendo

Quando vi, várias pessoas já estavam em volta dela pedindo autógrafos e fotos. E eu fiquei ali reparando. Realmente ela é muito simpática. Não dá pra dizer o contrário. Um amor com todos. Me surpreendeu. Cheguei mais perto pra ver. Vários flashs. Ih! O cabelo dela tá bagunçado! Aviso ou não aviso? Ela vai sair com o cabelo bagunçado em várias fotos se ninguém falar nada.

- Wanessa, ajeita aqui! (apontando pro cabelo) Seu cabelo tá bagunçado!

Ela passou a mão no cabelo, aparentemente não notando nada para ser ajeitado. Fez cara de interrogação pra mim. Logo pra mim. Eu que não tava entendendo nada. Porque ela não tirava aquele bagulho do cabelo logo? Apertei meus olhos, fazendo o Lobo Mau querendo enxergar melhor. E aí eu entendi tudo.

- Ih, é o penteado!

Saí de perto. Climão.

O penteado

Fala sério: você também teria a alertado.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Garçom, traz a conta!


Rio de Janeiro, RJ, 2004. Na época, 14 anos. Estávamos eu e uma amiga no Habib's do Rio Sul. Já era cerca de 8 da noite e estávamos famintos. Havíamos passado longas horas assistindo à leitura de uma peça ali mesmo em Botafogo. Bruno Barreto estava lá e não dava pra ficar comendo do lado do cara. Tínhamos que fazer os finos. Terminada a leitura, corremos - literalmente - pro shopping.

Não lembro exatamente nossos pedidos. Sanduíches, refrigerantes, essas coisas. Nem gosto do Habib's. Não sei porque escolhemos essa lanchonete. Talvez porque ela fosse a mais próxima da entrada, ali mesmo no primeiro piso. Não tínhamos cabeça - nem estômago - para escadas rolantes. Felizes, comemos, enquanto conversávamos e ríamos muito (quem é meu amigo sabe bem como funciona).

E então, pedimos a conta. O garçom trouxe pra gente aquele negocinho preto. Abrimos e vimos quanto cada um deveria pagar. Abri minha carteira pra pegar o dinheiro. Não havia dinheiro. Revirei todos os esconderijos e nada. Deve tá no bolso da calça então. Ponho a mão e nada. Ponho a mão no outro bolso e nada. Começo a ficar nervoso. Onde tá meu dinheiro? Tenho certeza que trouxe três notas de $10. Começo a tirar tudo dos bolsos e colocar na mesa. Celular, chave, máquina fotográfica, pilhas. Nada mais. Dinheiro não há. Não acredito. Eu perdi? Olho pra minha amiga no mesmo momento que ela me olha.

- Tô sem dinheiro.
- Pára de brincadeira, Léo.
- Tô falando sério. Devo ter perdido. Paga aí que depois eu te pago.
- Também tô sem dinheiro!
- Não acredito.
- Não tenho nem pra mim! Achei que tinha dinheiro na carteira, mas não tem.
- Não acredito!

Dica para os pais: façam cartões de crédito para os seus filhos o quanto antes!

Nos olhamos desesperados. Não sabíamos o que fazer. Ela virou a bolsa dela na mesa pra ver se achava alguma coisa. Caíram umas moedinhas. Não chegava a um real. E agora? O que a gente ia fazer? Lavar pratos? Não. Que situação! Fugir? Não. Ia dar confusão se fôssemos pegos. Os garçons já pareciam notar que estávamos enrolando o pagamento. Todo mundo parecia notar. Tenso. Não havia nada a fazer.

- Vou ligar pra minha mãe!

E ela ligou. Mães são pra isso, né? Salvar a gente quando estamos em apuros. Se a tia estivesse por perto, logo logo ela chegaria, pagaria nossa conta e iríamos embora felizes e rindo daquilo tudo. Mas é claro que a tia não estava por perto. Estava em casa, bem distante, porque ela era dessas.

- Minha mãe disse que tá vindo. Falou pra gente pedir mais alguma coisa e ir comendo enquanto ela não chega.
- Mas a gente já pediu a conta!

Dica: sempre dá pra ficar pior.

- Garçom, olha só, a gente pediu a conta só pra ver qual valor que já tava. Mas agora a gente vai querer a sobremesa. Traz pra gente um...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Paixonite adolescente

Ih, gente, eu tive uma fase muito mané na minha vida. Mas muito mané mesmo. Acreditava em amor à primeira vista. Nessas, tive vários amores platônicos. De um em particular me lembro bem. Um dia, tava assistindo ao Leão Lobo (eu era muito fino!) e vi essa menina no vídeo:

Não deu outra: me apaixonei. E sabe como é adolescente: pra mim, aquele era o amor da minha vida. Ela só não sabia disso. Aliás, não sabia nem que eu existia. Mas nisso eu daria um jeito depois. Comecei a procurar tudo sobre ela e vigiar perfil no Orkut e fotolog dela e dos amigos. Me aproximei de alguns amigos dela. Me queimei com vários. Tudo e todos eram usados como ponte para eu chegar até ela. Ih, pirava com esses cabelos ruivos e essas sardas. Eu era desses naquela época. Isso me lembra aquela música:

Faz tanto tempo que eu venho te seguindo
conheço passo a passo todos os seus caminhos
sei a hora que acorda e a hora em que vai dormir
sei tudo de você, e você nada sabe sobre mim

Eu descolei pra mim o seu telefone
e te liguei, mas eu não quis falar meu nome
tive medo e quando ouvi a sua voz, na hora desliguei
e confesso na verdade me faltou coragem pra dizer

A cada dez palavras que eu falo, onze são você
cada rosto que eu olho, em todos vejo você
tentei mil vezes te esquecer mais no fim
Mil vezes desejei você só pra mim.

Afinal, não há nada melhor do que KLB para ser trilha sonora de uma paixonite, não é mesmo? Só havia duas coisas diferentes. Não descolei o telefone dela não. Eu descolei foi o MSN, porque mesmo mané, eu era muito moderno. E outra: comigo não tinha essa de faltar coragem não. Puxei papo. Ela não me deu conversa não. Foi escrota. Ih, climão. Começou a rolar uma decepção. Esse é o problema de amor a primeira vista. A gente idealiza a pessoa, né? Na minha cabeça, era um amor. E ali, na minha janela do messenger, era um nojo. Mas tudo bem, ela deve tá achando que sou um fã como tantos outros. Não sou, né. Ainda me resta uma dignidade, embora não pareça. Não sou fã de desconhecidos. Ih. Eu tentava, tentava, tentava, mas nada fazia ela cair na minha. Comecei a me estressar. Eu devia ter ido naquelas mulheres que trazem a pessoa amada em 3 dias. Muito mais fácil. Isso de MSN dá trabalho. Perdi a linha, falei:

- Eu te amo!

No segundo seguinte, eu sabia que tinha feito merda. Sabe o porquê? Ela respondeu assim:

- Mas você nem me conhece!

É, gente, climão. Balde de água fria. Dica do amigo aqui:

Não saia por aí se declarando para desconhecidos. Não pega bem.

Mas foi bom, sabe.
Não tenho planos de ter filho cedo.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Paulistas e o culto à informação falsa (parte 2)

Por favor, ignore minha cara de morto-vivo e a Raffa fazendo anúncio da Pepsi

São Paulo, SP, 2007. Tarde da noite, na Vila Leopoldina. Hora de voltar pra casa pro hotel. A idéia era pegar o mesmo ônibus que havia nos levado até lá, só que no sentido inverso. Idéia boa, vai. Daria super certo se o ônibus aparecesse. Claro que não apareceu. Nem depois de 10 nem depois de 20 minutos. Vendo nossa situação (note que somos muito discretos, porque todos sempre entendem o que tá acontecendo), um cara disse pra pegarmos o mesmo ônibus que ele, que nos deixaria perto do nosso hotel. Antes de entrar, perguntamos pro cobrador (não havíamos aprendido a lição):

- Passa na Consolação?
- Não.
- Ai, meu Deus. Passa na Paulista?
- Passa.
- Não passa perto da Consolação?
- Passa.
- Então, você avisa pra gente a hora de descer?
- Aviso.

Ih, não preciso dizer o quanto ficamos felizes por ter alguém pra nos ajudar, né? Isso era algo novo em São Paulo: alguém ajudando. Tendência. Fomos conversando no ônibus e quando vimos, já estávamos na Avenida Paulista, ali na altura da Brigadeiro. Falamos com o cobrador, ele disse que ainda faltava pra gente saltar. Nós, que nada entendíamos de geografia paulista, acreditamos. Raffa até falou que já tava dominando o percurso. Sente o problema:

clique para ampliar!

É, meu caro, se você tem a mínima noção de mapas, você entendeu o que estava acontecendo. Estávamos nos dirigindo em um sentido contrário ao nosso destino. Consolação era pra esquerda e nós íamos pra direita. Com total apoio da Raffa, que dizia 'é mais pra frente, é mais pra frente'. Foi quando eu notei que o cobrador começava a dar risadas fora de hora, obviamente se divertindo por estar nos sacaneando.

Do outro lado da Paulista, ele falou pra gente descer. Descemos. Percebemos o que havia acontecido. Rimos. Que palhaço o cobrador! Que burra você, Raffa! Agora vamos andar horrores (é claro que a idéia de pegar outro ônibus não passou pelas nossas cabeças mão-de-vaca)!

Dia de semana, àquela hora, éramos nós e Deus na Paulista. Não havia nenhuma alma viva por ali. Foi aí que um carro preto parou do nosso lado. Paralisamos. Era só o que faltava. Um assalto, um sequestro, um estupro. Passou um táxi. Corremos pra dentro dele, enquanto o carro preto dava a ré tentando nos alcançar. Desespero era o nosso nome. Claro que nada aconteceu, senão eu não estaria aqui contando isso tudo em tom de piada. Nos safamos. Mas não precisávamos ter passado por isso.

Senhor cobrador daquele ônibus, onde quer que você esteja, vá a merda!


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Paulistas e o culto à informação falsa (parte 1)

Raffa e eu: vítimas da maldade paulistana

São Paulo, SP, 2007. Deveríamos estar às 19h no Novos Estúdios, para gravação do Acústico MTV de Sandy & Junior (já disse que eu era fanático!). Já eram quase 18h30 e nós ainda não sabíamos direito como chegar lá. Sabíamos, no entanto, que estávamos longe. Éramos três - eu e duas meninas. Apenas uma já havia estado em São Paulo, o que não signicava absolutamente nada, já que ela era um bocado atrapalhada.

Os paulistas adoram dar informações falsas. Perguntávamos a dezenas delas e ninguém nos dizia um ônibus que nos levasse à Vila Leopoldina, onde fica o estúdio. Eu realmente não sei qual o prazer que paulistas sentem em omitir e mentir informações. Não sei mesmo. Só sei que esse prazer é ainda maior se estiverem enganando cariocas. Depois de muitas tentativas, uma boa alma nos disse qual ônibus pegar (obrigado, onde quer que você esteja!).

No ônibus, outra questão: não sabíamos em que ponto descer. Pedimos ajuda ao cobrador, afinal ele está ali pra isso também... não está?

- Boa noite! Você pode nos avisar quando for o ponto mais certo do CEASA? É lá que a gente tem que saltar.
- Não sei onde é isso não.
- Como não? Você não faz esse trajeto todo dia?
- Sim.
- Então, o CEASA, você sabe.
- Não, não sei.

OBS: Todo mundo havia nos dito que o CEASA era um ótimo ponto de referência.

Bem, não restavam dúvidas de que o cobrador do ônibus era um legítimo paulista. Mas, felizmente, sempre há boas almas. Uma senhora vendo que estávamos perdido, nos explicou mais ou menos onde saltar. Descobrimos que aquele ônibus era perfeito pra gente. O ideal. Como não descobrimos ele antes? Era esse que usaríamos no dia seguinte! E pra voltar pro hotel também! Aliás, até que horas aquele ônibus rodava?

- Oi! Até que horas esse ônibus passa?
- Eu não sei.
- Como não?
- Não sei.
- Hahaha Não é possível! Você sabe seu nome, cara?

É, gente. Eles nem disfarçam. São climão. Como o cobrador do ônibus não sabe até que horas o ônibus que ele trabalha roda? Impossível. Muito sujo.


P.S: E claro que esse não foi um fato isolado. Ou você acha que pra voltar pro hotel foi mais fácil?

domingo, 16 de agosto de 2009

Primeiro dia de aula

Saudade de quando essa calça não ficava apertada

Quando estava passando pro Ensino Médio, minha mãe me obrigou a fazer as provas de seleção para a escola técnica federal aqui do RJ, o CEFET. "Você tem que ter uma profissão blablablá isso de técnico tá em alta blablablá". Bati o pé, mas não adiantou nada. Na época, escolhi o curso de Administração praticamente no duni-duni-tê. Eu não sabia o que significavam nenhum daqueles cursos e não gostava de nenhum deles de antemão. Eu tinha só 15 anos e minha mãe achava que já era a hora de pensar no futuro.

Contra a minha vontade, comecei a fazer o curso. Tinha prometido pra mim mesmo que não ia falar com ninguém e ter problemas de entrosamento. Assim, mais cedo ou mais tarde, minha mãe deixaria eu abandonar o curso.

Na primeira aula, o professor resolveu fazer aquela sessão chata de apresentações. Na minha vez, foi mais ou menos assim:

- Porque você quis fazer o curso?
- Eu não quis. Tô aqui porque a minha mãe me obrigou.
- Hmm.. E porque escolheu Administração?
- Achei o menos pior.

É, já cheguei mostrando que não tava pra brincadeira. Depois de causar o meu climão, passei a reparar nos outros alunos. Só pra ver com quem eu teria de lidar. Logo percebi que não seria difícil ignorar a todos. Não sentia vontade de me aproximar de nenhum deles. Havia uma gorda simpática (porque é quase redundante dizer isso?), dois irmãos gêmeos (odeio gêmeos. nunca sei quem é quem! até hoje não sei reconhecer as Olsen), uma menina magra de anorexia, uma com jeito e expressões da coabe, uma que eu já conhecia a fama de fofoqueira, uma estrábica, uma extremamente alta e uma que, desconhecia-se os motivos, mas só falava aos berros. O resto passava despercebido. Bem, ignorar todos eles seria fácil.

Fácil pra você. Nunca foi fácil pra mim ficar calado. Dentro de pouco tempo, eu já adorava a gorda simpática, era unha-e-carne com a fofoqueira, corrigia e ria dos erros da menina da coabe, e berrava mais alto que aquela outra para conseguir ser escutado. Quebrei a cara. E a estrábica? Bem, ela recebeu o apelito de Magé.

Porque um olho tava no Rio e o outro tava lá é Magé.
(é, piada de péssimo gosto, eu sei.)

Essa época de CEFET já acabou. Pergunta se eu fiz o curso todo. Claro que fiz. E passei com boas notas. Pergunta se eu tenho o diploma. Claro que não. Não fiz o estágio necessário pra me formar. Aturei a menina gritando à toa. (Sh)it happens...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Devolve a minha camisa!

Sandy e Junior se apresentando com minha camisa jogada no palco

Ih, gente. Tava conversando com a Erica ontem e depois embarquei numa sessão nostalgia. Não é surpresa pra ninguém o quanto eu fui fã de Sandy & Junior, né. Fã seguidor ainda por cima, que é aquele que mais enche o saco do artista. Hoje em dia, Sandy me conhece e as coisas são muito mais amenas do que antigamente. Mas pra chegar a isso, passei por bocas e boas...

Quando eu tinha 14 anos, por exemplo, fui para a gravação do Show da Virada, aquele especial de fim de ano da Globo que ninguém vê (virar o ano em frente da Tv é, no mínimo, deprimente). Só que como eu era tiete, não bastava estava lá. Eu tinha que estar na grade, pra Sandy me ver. O que eu fiz? Cheguei na fila cedíssimo, de manhã. Passei o dia todo lá, embaixo de sol, sem dignidade alguma. Lembro que minha mãe estava lá também, me acompanhando. Coitada!

Como planejado, fiquei na grade. Os seguranças avisaram que quem tava ali não podia bater fotos, senão ia aparecer no vídeo e o diretor (Legey) ia reclamar. Pensei: aham, Cláudia, senta lá. Eles achavam mesmo que Sandy ia tá na minha frente e eu não ia bater foto alguma? Oi, eu sou fã.

As apresentações começaram com Daniela Mercury e KLB. Só gente boa. Realmente eu não tinha porque fotografar nada disso. Então, fiquei na minha. Até que Sandy entrou e eu já saquei a máquina. Comecei a bater minhas fotos, como de costume. O segurança veio e reclamou. Caguei. Reclamou de novo. Caguei novamente. Reclamou mais uma vez e disse que era a última vez que tava falando. Passei a fotografar na encolha. Os flashs me entregavam. Ficou puto. Veio o chefe de segurança, me pegou por trás e falou:

- Vamos colocar sua máquina no porta-volumes, vamos?
- Eu não. Só quando a Sandy sair do palco. Vim pra vê-la. Eu hein.
- Vamos agora.
- Não.
- Vamos!

Vocês sabem como são esses caras, né? Verdadeiros armários humanos. Enormes e rudes. Temi. Joguei minha camisa no palco estrategicamente.

- Jogaram minha camisa no palco! Não posso ir agora! Só quando pegar minha camisa!
- Então pega aí!

Ih, caiu que nem patinho. Sou muito foda, pensei. Venci. É, sou um máximo mesmo. Estou impressionado comigo. Agora é só esperar a Sandy parar de cantar, que eu pego minha blusa e enrolo ele com isso de porta-volumes mais uma vez. É isso aí.

Ei! Como vou pegar minha camisa? Como? Ai, meu Deus! Minha mãe vai me matar! Essa camisa é nova! Não posso voltar pra casa sem essa camisa. Desespero. Que que eu fiz? Perdi a noção! Que idéia idiota - jogar minha camisa.

- Saaaaaandy! Devolve minha camisaaaa! Essa azuuul! Minha mãe vai me mataaaaaar! Saaaaandy! Devoooooolve! Tá me ouviiiiindo?

E Sandy seguia cantando a música preocupada com as câmeras. Me olhava, mas eu não tinha certeza se ela estava me entendendo. Ela não estava, né? Se tivesse, já teria jogado minha camisa de volta. Ai, meu Deus. Que ídola esperta eu fui arranjar. Só pensa nela. Eu preciso da minha camisa de volta.

- Saaaaandy! Minha camiiiiiiiiisa!

E o segurança me olhava numa mistura de raiva e incredibilidade. E eu olhava pra ele desesperado. Ele podia deixar de ser chato e me ajudar, né? Nesse momento, todo mundo da grade já estava me ajudando e gritavam junto comigo. Apontavam pra camisa e depois apontavam pra mim. É esse o espírito, galera. Me ajudem. O que vão pensar lá em casa se eu chegar sem a camisa?

E, quando a música estava terminando, Sandy jogou minha camisa de volta! Que generosa! Ela é linda, não é mesmo? Vocês viram só? Ela jogou a camisa de volta. Ela entendeu direitinho. Muito esperta, gente. Uma fofa.

E o segurança me levou ao porta-volumes. Pedi pra ele me deixar na grade de novo, no mesmo lugar. Ele, obviamente, não me deixou lá. E seguiu-se uma sequência de músicas de Bruno e Marrone, Zezé Di Camargo e Luciano e afins... Era demais pra mim. Fui no porta-volumes por vontade própria, peguei minha máquina e voltei pra casa. Vestindo a minha camisa.

3:22 a 3:26: momento que minha camisa é devolvida

Mas, ó, eu não sou mais assim não, tá galera?

domingo, 9 de agosto de 2009

Não tá lembrando de mim não?

Por volta dos meus 14 anos, tava eu, acompanhado da minha mãe, no Prêmio TIM. Aliás, fica aqui um pequeno comentário: não existe nada mais cafona do que essa premiação. No Teatro Municipal, eu circulava entre figuras como Rosana, Alcione, Supla e me perguntava o que é que eu estava fazendo lá (aliás, o quê?).

Nessas de circular para ver todos os famosos presentes (tiete!), fui abordado por uma menina um pouco mais velha que eu. Devia ter uns 16.

- Oi, Leonardo! Tudo bem?

Me perguntei quem era aquela menina. Nunca tinha visto na vida. Tinha certeza.

- Oi, tudo e com você?
- Não tá lembrando de mim não?

Ih, ela percebeu. É, não tô lembrando não. Na verdade, não tô entendendo porque tô falando com você. Se eu não lembro quem você é, você também não deveria ter me parado, né? Se toca!

- Eerrr... na verdade, não lembro não.
- Não lembra? Naquele show lá no ATL.
- Que show?
- De Sandy e Junior! Não lembra?

Que garota sem noção. Ela não tinha noção de a quantos shows deles eu já tinha ido? Por que eu me lembraria dela? Cada show lá tem no mínimo seis mil pessoas. Acorda, fofa.

- Olha, eu não lembro mesmo. (eu, voltando a andar)
- Eu mudei o cabelo, na verdade. Naquela época, era cacheado. (ela, não me deixando ir embora)
- Deve ser por isso que não lembro então.

Socorro! Ela não vai mesmo me deixar sair daqui?

- Não é possível que você não lembre. Aquele show fechado! Eu tava com o Rafael.

Me lembrava desse show fechado, óbvio. Foi ótimo. Também me lembrava do Rafael, claro, tínhamos vários amigos em comum. Lembrava até do momento exato em que cumprimentei o Rafael nesse show. Mas dela? Nenhuma memória.

- Olha, acho que tô lembrando.
- Lembra do Rafael, né?
- O gordinho.
- Isso! Então! Lembrou de mim?
- Não.

Climão. Ela viu alguém e foi pegar alguma coisa. Disse que já voltava. Eu queria era me esconder. Não me escondi. Minha mãe me disse pra eu fingir que lembrava. A menina voltou com uma foto.

- Olha aqui como eu era!
- É, muito diferente!
- É, por isso que você não tá lembrando.
- Que nada! Vendo a foto agora, já lembrei! Mas olha só, eu tenho que ir. Beijoooo!

E fugi.
 
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